O Primeiro Premiê Gay da Irlanda Revela que as Atitudes em Relação à Comunidade LGBT estão Evoluindo

Um estudo de 2016 revelou que a Irlanda é um país pioneiro em termos de aceitação da comunidade LGBT. Na quarta-feira, Leo Varadkar tornou-se o primeiro líder do país abertamente gay.

Quase três semanas atrás, Leo Varadkar foi eleito com primeiro ministro pelo principal partido do governo da Irlanda, tornando-se o primeiro líder do país abertamente gay. Com 38 anos de idade, ele é o Taoiseach mais jovem da Irlanda. E, como filho de um imigrante indiano, ele é o primeiro descendente de uma minoria étnica a servir nesta posição. Ele assumiu o poder na quarta-feira passada, sucedendo Enda Kenny, que renunciou no mês passado.

Apesar dele incorporar vários “primeiros” na Irlanda, Varadkar não se vê como um pioneiro. Em 2015, ele declarou à emissora estatal RTÉ que ser abertamente gay “não é algo que me define. Eu não sou um político meio-indiano, ou um médico político, ou mesmo um político gay. Estas são apenas partes de quem eu sou”.

Varadkar saiu do armário publicamente em 2015 quando o país lançou um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que se tornou legal naquele ano. Mas, apesar do seu novo cargo poder parecer um triunfo dos valores progressistas, ele também é membro do partido de centro-direita Fine Gael e apoia várias causas conservadoras.

Sua ascensão ao cargo é, no entanto, um reflexo da ampla e crescente aceitação das pessoas da comunidade LGBT num país de maioria católica, onde o homossexualismo era proibido até 1993. No ano passado, o Logo e a Viacom divulgaram os resultados da ILGA-RIWI 2016 “Global Attitudes Survey on LGBTI People,” uma pesquisa com quase 100.000 entrevistados em 65 países, incluindo a Irlanda. O estudo descobriu que a Irlanda era pioneira em relação às atitudes positivas quanto aos cidadãos da comunidade LGBT.

Entre as descobertas, a Irlanda se classificou como o país mais alto de todos em questões relativas aos direitos e à aceitação da comunidade LGBT. Os irlandeses eram os que mais acreditavam que o casamento entre pessoas do mesmo sexo deveria ser legalizado (78% vs. 43% média global), concordavam que o bullying de jovens LGBT era um problema significativo (71% vs. 51%), e acreditavam que aqueles que sentem atração por pessoas do mesmo sexo nasceram assim (50% vs. 24%).

A pesquisa também descobriu que na Irlanda é comum ter uma pessoa LGBT no seu círculo de familiares e amigos próximos. Dois terços dos entrevistados irlandeses (66%) disseram que conheciam pessoalmente uma pessoa gay e quase 4 em cada 10 (37%) tinham um membro da família ou um amigo gay. Outros países com consciência similar de membros da família e amigos gays incluíam o Brasil (44%), a Venezuela (42%), Cuba (42%), os Estados Unidos (40%), as Filipinas (39%), a Costa Rica (38%), o México (38%) e a Tailândia (37%).

Os entrevistados da Irlanda eram os mais propensos a dizer que seus sentimentos em relação às pessoas LGBT haviam se tornado mais favoráveis nos últimos 5 anos (45% vs. 34% global). Não por acaso, conhecer uma pessoa LGBT foi o principal motivo. Leis como a da legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo de 2015, também foram um forte motivo pelo aumento das atitudes positivas em relação às pessoas da comunidade LGBT.

Como prova desta mudança de sentimentos, um homem gay tem agora o trabalho mais poderoso da Irlanda.