No mês passado, no maior festival de Cinema da África, a atriz queniana Samantha Mugatsia ganhou o prêmio de Melhor Atriz por sua atuação como um personagem lésbico no filme Rafiki. Uma história de vida de duas jovens mulheres que se apaixonam, este também foi o primeiro filme queniano a ser exibido no Festival de Cinema de Cannes. A homofobia é o pano de fundo desta história de amor, e também da recepção no Quênia ao próprio filme. O homossexualismo é ilegal lá, punível com até 14 anos de prisão. Em 2018, o Conselho de Classificação de Filmes do Quênia baniu o filme por “promover o lesbianismo”.

Apesar da homossexualidade continuar um tabu no Quênia, há sinais de melhora em direção a uma maior aceitação por lá. Em resposta ao trabalho dos ativistas dos direitos gays, o supremo tribunal queniano está programado para votar em maio se deve derrubar a lei que criminaliza o sexo gay.

No ano passado, o Logo e a Viacom apresentaram os resultados do ILGA-RIWI 2018 “Global Attitudes Survey on LGBTI People,” (Pesquisa Sobre as Atitudes Globais Referentes Às Pessoas LGBTI), um estudo com mais de 116.000 indivíduos online em 77 países, incluindo o Quênia. Nós revisamos estes dados para obter um melhor entendimento sobre as atitudes dos quenianos em relação à homossexualidade. Aqui estão nossas descobertas:

Um contingente crescente acredita que a homossexualidade não é um crime. Em 2018, 45% dos entrevistados no Quênia discordava que as pessoas que estivessem envolvidas em relações entre pessoas do mesmo sexo deveriam ser condenadas como criminosas – em comparação com 36% do ano anterior. Por outro lado, a porcentagem que concorda com a criminalização caiu drasticamente, de 49% em 2017 para 35% em 2018.

A maioria acredita que as pessoas LGBT merecem direitos humanos. Dois-terços (67%) no Quênia concordam que os direitos humanos devem ser aplicados a todos, independentemente de por quem eles sentem atração ou do gênero com o qual se identificam.

A maioria dos quenianos não acredita que conheçam alguém que se identifique como LGBT. Nossa pesquisa global revelou que conhecer uma pessoa da comunidade LGBT é o fator que mais frequentemente melhora as percepções das pessoas. No entanto, mais da metade dos entrevistados no Quênia (54%) disseram que não conhecem pessoalmente ninguém que seja LGBT. Entre os LGBT quenianos é pouco comum ser totalmente “fora do armário”, com apenas 28% deste grupo dizendo que todos ou a maioria da família e amigos sabem. Apesar de pequena, a porcentagem da população em geral que diz conhecer uma pessoa LGBT está crescendo – de 26% em 2016 para 31% tanto em 2017 como em 2018.

Em resumo, as percepções da comunidade LGBT estão melhorando. Quando perguntados se suas atitudes em relação às pessoas LGBT mudaram nos últimos 5 anos, a porcentagem que disse que suas atitudes se tornaram mais favoráveis (34%) foi mais alta do que os que disseram que sua visão estava menos favorável (22%). No entanto, o maior grupo (44%) disse que suas percepções permaneceram as mesmas.

A representação no entretenimento faz a diferença. Entre os quenianos que disseram que suas atitudes em relação às pessoas LGBT se tornaram mais favoráveis nos últimos 5 anos, ver personagens LGBT na TV e em filmes foi o que mais contribuiu para a mudança neste sentimento (19%).